Imagem capa - Elas fizeram fotos sensuais para mostrar algo muito importante sobre o câncer de mama por Dan Martins / Alexandre Ronconi
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Elas fizeram fotos sensuais para mostrar algo muito importante sobre o câncer de mama

Matéria escrita por Fátima Lopes para VixMulher - Leia no site da Vix clicando aqui.



FOTO: NANA MORAES

Qual é a ligação do câncer de mama com um ensaio sensual? Talvez não seja simples relacionar à primeira vista, mas o propósito é muito maior do que você imagina e pode te ensinar algo muito importante sobre a doença - e sob um viés que você provavelmente nunca pensou.

Patrícia Dias, Linda Rojas, Leoni Simm e Fernanda Muniz são os rostos que aparecem nas imagens da campanha #50TonsDeRosa, da Fundação Laço Rosa, que apoia mulheres que passam pelo tratamento de câncer, em parceria com a FQM Ginecologia/Hidrafemme.

Campanha #50TonsDeRosa

“Há vida apesar do câncer, durante e após a doença", diz Marcelle Medeiros, presidente voluntária da Laço Rosa, sobre o projeto que aborda a sexualidade da mulher em tratamento contra a doença e também das já curadas.

A ideia é falar abertamente sobre a vida sexual de quem enfrenta a doença e, assim, incentivar outras mulheres a se redescobrirem, independentemente do câncer.


POR VOYAGERIX/SHUTTERSTOCK

Esse é um assunto pouco falado, mas que atinge todas as mulheres vítimas do câncer de mama - que, de acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva), é o tipo da doença mais comum no Brasil e que tem entre os pacientes 99% sendo do sexo feminino. Essas mulheres comumente enfrentam a baixa da libido, que acontece devido ao tratamento, e precisam ainda superar barreiras psicológicas para se redescobrirem em assuntos como o sexo.

"O debate vai ganhar os consultórios médicos e o objetivo é que pacientes, parceiros e parceiras possam abordar o assunto sem medo de ser feliz”, destaca Marcelle.

Ensaio sensual

Para retratar o tema com leveza e mostrando que a mulher não deixa de ter a sua sensualidade quando está passando pelo processo de cura de uma doença, a fotógrafa Nana Moraes foi convidada a registrar cliques de quatro pacientes de diferentes idades e momentos do tratamento.

O resultado é um livro com as fotos e textos inéditos, que estará disponível no site da Fundação, e a exposição #50tonsderosa (que estará em cartaz durante o mês de outubro na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro).

Conhecemos um pouco mais sobre essas mulheres que lutam contra o câncer e mostraram toda sua beleza e poder nesse ensaio especial. Suas histórias são inspiradoras e retratam momentos comuns a todas que passam pela luta contra o câncer.


Histórias das mulheres retratadas


Leoni Simm


FOTO: NANA MORAES

A socióloga Leoni Simm, de 63 anos, sobreviveu não só ao câncer de mama metastático - aquele que não atinge apenas o local em que se iniciou, mas se espalha para outras partes do corpo - mas também ao disgnóstico de câncer de pulmão, dois anos depois.

Para ela, posar para as câmeras ajudou a quebrar o tabu da sexualidade. "Desmistifica um pouco este tema da sexualidade. Eu sou bonita, eu posso ser feliz no amor, eu posso ter uma relação sadia com meu companheiro, eu posso achar formas de me sentir bonita e manter a minha autoestima elevada”.

Para as mulheres que ainda passam pelo tratamento e travam uma luta com a autoestima, ela manda um recado: "Procure ser maior que a sua mama, você é maior que a sua mama, ou que a ausência da sua mama. Quando você perceber isso você consegue se sentir plena novamente".


Fernanda Muniz do Nascimento Soares


FOTO: NANA MORAES

O câncer trouxe uma nova profissão para Fernanda Muniz, de 34 anos. Ela era enfermeira e descobriu um nódulo em seu seio durante o banho, no final de 2016.

Mesmo sem histórico na família e apesar da pouca idade, a confirmação de se tratar de um câncer de mama veio com os exames solicitados pelo médico e ela iniciou um processo de tratamento de seis ciclos de quimioterapia a cada 21 dias.

Ainda na segunda sessão de quimioterapia foram descobertos 3 focos cancerígenos no osso do acetábulo e na coluna. "Fiz rádio para os ossos e fiz mastectomia total com esvaziamento da axila, além da ooforectomia (retirada dos ovários)".

Com a baixa da libido causada pelo tratamento e as informações rasas que eram passadas pela equipe médica, Fernanda resolveu buscar a pós-graduação em Tecnologia Sexual na Saúde e Educação.

"Eu precisava me ajudar e ajudar outras mulheres com os mesmos sintomas. Tendo conhecimento eu poderia propagar as informações do meu aprendizado. E a campanha falando sobre a sexualidade é a nossa voz gritando por informações", fala.



Patrícia Dias


FOTO: NANA MORAES

Patrícia é uma mulher de 42 anos, autônoma e que conviveu com sintomas da doença durante algum tempo antes de desconfiar que tinha câncer e procurar um profissional. O que a alertou para o problema foram algumas alterações na pele, que passaram a surgir em seus seios. Foi então que ela resolveu procurar ajuda médica, em dezembro de 2017. O diagnóstico só veio em março, cerca de 3 meses após a descoberta.

Depois da confirmação de câncer de mama, ela passou por uma mastectomia, onde foi preciso retirar toda a mama, e iniciou o processo de quimioterapia. Hoje ela segue em tratamento.

Segundo ela, participar de um ensaio para falar sobre sexo durante o câncer foi um empoderamento enorme e uma elevação para a autoestima. "Me senti como uma princesa, foi maravilhoso. O melhor e mais importante é poder tocar outras pessoas em relação à doença".

Em relação ao que aprendeu enfrentando o câncer, ela é simples e objetiva. "Vi que é temporário, que tudo passa", finaliza.


Linda Rojas


Hoje Linda tem 31 anos, mas o diagnóstico da doença veio no ápice de sua juventude, aos 24, enquanto fazia o autoexame que a levou a descobrir um nódulo no seio.

Apesar de não ter histórico familiar, ela foi diagnosticada com câncer de mama e passou pelos protocolos de radioterapia e quimioterapia, que segundo ela é o pior do tratamento. "É quando você realmente se vê doente e vê que é aquilo que vai te curar".

Após cinco anos sendo acompanhada de perto pelos médicos e realizando todos os exames de rotina, ao fazer um segundo autoexame Linda descobriu um outro nódulo na mama e optou pela dupla mastectomia.

Para ela, o ensaio fotográfico representou a quebra de paradigma em relação aocorpo. "Foi exaltado a beleza da mulher apesar de peitos, de corpo, de padrões, estávamos sendo fotografadas e essas fotografias estavam captando a essência da beleza da mulher, que está muito além de tudo isso", disse.